O Hospital do Desterro, integrado no Centro Hospitalar de Lisboa Zona Central, tem previsto para breve o seu encerramento.
Actualmente é a unidade hospitalar de referência das especialidades de Urologia e Dermatologia. O fecho desta unidade implica acabar com mais de 50 000 consultas (Cirurgia, Urologia, Dermatologia e Medicina) e com mais de 2 000 cirurgias. Acrescente-se ainda as 50 camas de Medicina que obrigarão, decerto, ao internamento de doentes em macas nos corredores dos já sobrelotados Hospitais de S. José e Capuchos.
Quanto aos profissionais de saúde, designadamente enfermeiros, o futuro é ainda incerto - não foi ainda determinada a transferência nem tão pouco foram salvaguardas as questões de precariedade. Com esta medida prevê-se também um acesso aos cuidados de saúde ainda mais condicionado e encarecido (com o agravamento das taxas moderadoras).
Simultaneamente, em vários pontos de Lisboa e periferia, deram-se já início os trabalhos de construção de vários hospitais em parcerias público-privadas, dispensando o Estado do seu papel social e abrindo caminho a grupos privados com interesses financeiros.
Resta saber qual o destino previsto para o imóvel que é propriedade do Estado. Uma das hipóteses é a da transformação num hospital de cuidados continuados. Que seja, mas não antes de encontradas soluções que garantam o acesso a cuidados de saúde sem encargos suplementares e, já agora, que não permita a especulação imobiliária, para que casos como o do Hospital de Arroios não mais aconteçam.

Pois pois, mas temo que seja exactamente a olhar a outros objectivos que não o bem estar dos cidadãos o que está em causa.
Um @bração do
Zeca da Nau
zeca da nau — Sun 30-04-2006 @ 03:24