objecto de curativo

pulsaçõesSat 29-04-2006 - 22:33

A Corrida Terry Fox é um evento organizado pela Embaixada do Canadá que se realiza no nosso país desde 1994 e cujos fundos revertem para a Liga Portuguesa Contra o Cancro. A iniciativa conta com o alto patrocínio de Maria José Ritta, com os apoios do nadador José Couto, da atleta Rosa Mota, do piloto Pedro Couceiro, do manequim Pedro Reis e da actriz Sandra Coias. A Roche Farmacêutica associa-se mais uma vez a este evento através dum donativo equivalente à soma da altura de todos os participantes em que cada centímetro vale um cêntimo.

A Maratona da Esperança

Terry Fox foi um jovem canadiano a quem, aos 18 anos, foi diagnosticado um cancro nos ossos na perna direita, o que originou a sua amputação. Durante o internamento no Hospital, Terry ficou de tal modo impressionado com o sofrimento dos outros jovens com cancro que decidiu atravessar o Canadá a pé com o objectivo de angariar fundos para a investigação da cura contra o cancro. A corrida realizou-se em 1980 e ficou conhecida como Maratona da Esperança. Com uma perna artificial, Terry percorreu a pé 5000 kms, durante 143 dias, tendo sido obrigado a interromper a meio esta corrida devido à progressão do cancro que lhe atingiu os pulmões.

Terry Fox viria a falecer em Junho de 1981 e os donativos para a primeira Maratona da Esperança totalizaram 24 milhões de dólares (1 dólar por cada canadiano). A partir daí, todos os anos, realizam-se em todo o mundo mais de quatrocentas Corridas Terry Fox em cerca de 60 países.

6 de Maio, em Lisboa
Parque das Nações (em frente ao Pavilhão de Portugal)
Inscrições: no local a partir das 9.30 horas
Início da Corrida: 11.00 horas
Valor da inscrição: € 5.00
Oferta de uma T-Shirt alusiva à corrida, a todos os participantes
Donativo: No local ou directamente na conta da LPCC (NRS) do Banco Espírito Santo, n1.044/02845/000.2

publicado por cris
pulsaçõesThu 27-04-2006 - 08:53

O Hospital do Desterro, integrado no Centro Hospitalar de Lisboa Zona Central, tem previsto para breve o seu encerramento.

Actualmente é a unidade hospitalar de referência das especialidades de Urologia e Dermatologia. O fecho desta unidade implica acabar com mais de 50 000 consultas (Cirurgia, Urologia, Dermatologia e Medicina) e com mais de 2 000 cirurgias. Acrescente-se ainda as 50 camas de Medicina que obrigarão, decerto, ao internamento de doentes em macas nos corredores dos já sobrelotados Hospitais de S. José e Capuchos.

Quanto aos profissionais de saúde, designadamente enfermeiros, o futuro é ainda incerto - não foi ainda determinada a transferência nem tão pouco foram salvaguardas as questões de precariedade. Com esta medida prevê-se também um acesso aos cuidados de saúde ainda mais condicionado e encarecido (com o agravamento das taxas moderadoras).

Simultaneamente, em vários pontos de Lisboa e periferia, deram-se já início os trabalhos de construção de vários hospitais em parcerias público-privadas, dispensando o Estado do seu papel social e abrindo caminho a grupos privados com interesses financeiros.

Resta saber qual o destino previsto para o imóvel que é propriedade do Estado. Uma das hipóteses é a da transformação num hospital de cuidados continuados. Que seja, mas não antes de encontradas soluções que garantam o acesso a cuidados de saúde sem encargos suplementares e, já agora, que não permita a especulação imobiliária, para que casos como o do Hospital de Arroios não mais aconteçam.

publicado por cris
reanimaçõesTue 25-04-2006 - 18:03

Para alguns jovens enfermeiros de hoje deve ser difícil conceber a realidade vivida antes de Abril de 74, onde primava um clima de guerra, de opressão severa de toda e qualquer manifestação, mesmo que cultural e inofensiva para o regime. Recapitulo os testemunhos dos meus familiares e os inúmeros documentos que constatam essa realidade.

Para resumir, basta dizer que os direitos e liberdades de cidadania estavam inteiramente vedados e as prisões estavam cheias de pessoas que pensavam diferente ou que eram diferentes, denunciadas pelos seus amigos, familiares ou vizinhos. A censura, a PIDE/DGS, reprimiam qualquer movimento oposicionista. Durante décadas, Portugal viveu um regime ditatorial que impeliu o país para um atraso económico e cultural de que foi difícil recuperar.

Durante o Estado Novo, procedeu-se à reforma do ensino e da prática de enfermagem e impõs-se a proibição do casamento às enfermeiras, uma medida inspirada no modelo fascista italiano e que só foi revogada mais de 20 anos depois (em 1963) com a permissão do casamento para as enfermeiras hospitalares. O estado da saúde era claramente selectivo com uma classificação da população em 3 grupos: os pensionistas (os que podiam pagar as despesas com a saúde), os pobres ou porcionistas (os que podiam pagar parte das despesas) e os indigentes (os que nada podiam pagar).

Após o 25 de Abril de 1974, as transformações no papel social, profissional e familiar da mulher foram marcantes. Vencida a primeira batalha na luta pela igualdade, a mulher conquistou o direito ao voto, o direito ao trabalho no exterior. As mulheres reinventaram o seu papel alcançando o acesso a todas as profissões, o direito a possuirem passaporte ou contas bancárias, o direito a sairem do país sem autorização escrita dos maridos e foram reconhecidas como cidadãs de plenos direitos assumindo papéis políticos. Foram abolidas as certidões de bom comportamento moral e cívico e as informações da polícia necessárias a quem desejava obter certos empregos. Deixaram de ser necessárias as licenças de isqueiro. A coca-cola, as calças de ganga entraram definitivamente no nosso mercado. A censura acabou e o direito à informação é irrevogável. As manifestações culturais eclodem sem limites à criatividade.

Texto recuperado daqui.

publicado por cris
artes e ofíciosSat 22-04-2006 - 23:00


14 de Agosto de 1945

12 de Agosto de 2005

A enfermeira Edith Shain e o marinheiro Carl Muscarello comemorando o fim da Segunda Guerra Mundial em Times Square, Nova Iorque; e 60 anos depois.

publicado por cris
pulsaçõesSun 02-04-2006 - 23:16

Entre as várias motivações para abrir este espaço está o desejo de expor um pouco do que é ser enfermeira e reflectir sobre as interacções com os doentes, com os profissionais de saúde e dizer qualquer coisa sobre algo que suscite interesse.

É indiscutível a importância da comunicação oral e escrita nas relações profissionais e na relação terapêutica com o doente e família. Efectivamente, uma comunicação assertiva é essencial para a transmissão de dados clínicos – como é uso nas notas de enfermagem – e como tal, é parte integrante do processo terapêutico e do cuidado global ao doente.

É também nesta perspectiva que me envolvo nestas paragens numa tentativa de desenvolver e melhorar as minhas capacidades de expressão. Até porque dar conta do que é feito o quotidiano duma enfermeira, partilhar uma imensidão de sentimentos e de emoções é extremamente difícil para mim.

publicado por cris